A Copa do Mundo de 2026 já está pegando fogo, mas não é só por conta dos craques em campo e dos duelos eletrizantes. É que o termômetro virou um protagonista incômodo nessa história. E a preocupação não está só no placar: as fortes ondas de calor estão transformando algumas partidas em um duelo extra contra a natureza.
E isso não é exagero. Estudos apontam que 26 dos 104 jogos, ou seja, um quarto do torneio, estão sendo e serão disputados em condições térmicas consideradas perigosas. A partida final, em Nova York, duas quartas de final e a disputa pelo terceiro lugar estão entre os confrontos que ocorrem nos Estados Unidos e os termômetros podem ultrapassar os limites seguros para a prática esportiva.
Um estudo liderado pela Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte, com base em 20 anos de dados meteorológicos, indica que 14 das 16 cidades-sede da Copa podem registrar, nas tardes de verão, níveis de calor considerados de alto risco para a saúde dos atletas.
O preparador físico de futebol, Renan Capra, explica o que acontece com o corpo do atleta sob condições de forte calor e desidratação.
“As altas temperaturas impactam diretamente no desempenho dos jogadores. Com o aumento da sudorese, ocorre uma perda ali de líquidos e eletrólitos, o que aumenta a fadiga e reduz a capacidade do atleta de realizar ações ali de alta intensidade, que são justamente aquelas que definem o jogo. Além disso, a desidratação também afeta a parte cognitiva do atleta. A tomada de decisão numa jogada é intimamente ligada à percepção de cansaço”.
Condições de temperatura extrema também aumentam de forma significativa o risco de câimbras, insolação e exaustão. Para preservar a saúde e o desempenho dos jogadores, as equipes adotam estratégias como redução do ritmo de jogo, maior rotatividade de atletas com substituições mais frequentes e até o uso de coletes de gelo.
As pausas para hidratação, por exemplo, são uma imposição da Fifa baseada em evidências científicas de que isso ajuda a reduzir não só a temperatura corporal, mas também a aceleração cardiovascular. Para Renan Capra, essas paradas são fundamentais para a recuperação física dos atletas.
“Eu vejo a pausa para hidratação hoje como uma coisa necessária e fundamental para manutenção do futebol moderno. […] se você não propiciar esses momentos onde ele possa ter uma parada durante o jogo, você acaba tendo uma perda muito grande no espetáculo e até gera muitas lesões ali, que a gente até tem visto na Copa”.
Já para os torcedores, que sofrem nos estádios lotados, os sinais de alerta são: dor de cabeça intensa, tonteira, fraqueza ou enjoo, confusão mental e sensação de mal-estar. A médica da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde do Rio de Janeiro, Daniela Vidal, explica o que fazer para evitar a desidratação ou a piora do quadro.
“Se esses sintomas surgirem, a gente pede que se procure um lugar fresco, que se ingira líquidos e que se busque um atendimento médico na piora dos sintomas […] A dica é: em eventos de grande porte, realizados sob um calor intenso, ter sempre disponível pontos de hidratação, áreas de sombra, um horário adequado e equipes de atendimento médico”.
Por isso, fique atento às dicas da especialista: evite o sol prolongado, use roupas leves, filtro solar e água sem moderação. Também é recomendado evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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