Em novo ataque a o papa Leão 14, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o líder da Igreja Católica de colocar fiéis em risco com sua posição sobre o Irã.
“Acho que ele está colocando em perigo muitos católicos e muitas pessoas. Mas acho que, se depender do papa, ele acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”, disse Trump em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt na segunda-feira (4).
Leão 14, que nunca defendeu que Teerã tenha armamento nuclear, respondeu às acusações nesta terça-feira (5), ao dizer que espera difundir a mensagem cristã falando sobre a paz. “A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, espero simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus.”
A fala se junta a uma série de ataques que o presidente dos EUA faz a Leão 14 por se posicionar de forma contrária à guerra no Irã. Em abril, Trump chamou o papa de fraco e que ele não devia se concentrar em ser político, além de compartilhar imagens geradas por inteligência artificial onde aparecia como Jesus Cristo.
Leão 14 se tornou o primeiro papa americano da história, apesar de também ter se naturalizado peruano. Durante seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, manteve um perfil relativamente discreto no cenário global, mas emergiu nas últimas semanas como um firme crítico do governo Trump, afirmando que Deus rejeita orações de líderes que praticam guerras e pedindo o fim dos conflitos.
As declarações do presidente americano surgem logo após o Vaticano anunciar que o secretário de Estado, Marco Rubio, irá se reunir com o papa para amenizar as tensões e tratar de interesses em comum na próxima quinta-feira (7). Junto a eles estará o cardeal e principal diplomata da Santa Sé, Pietro Parolin.
De acordo com o embaixador americano no país, Brian Burch, Rubio espera ter uma reunião “franca”. “Nações têm divergências, e acho que uma das maneiras de resolver isso é por meio da fraternidade e do diálogo autêntico”, disse, negando a ideia de existir ruptura profunda entre Washington e a Santa Sé.
Quando questionado por jornalistas sobre a última declaração de Trump, Parolin afirmou que o pontífice seguirá fazendo seu trabalho. “O papa continua em seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz -como diria São Paulo- em tempo oportuno e inoportuno.”
Este será o segundo encontro de Marco Rubio com o papa. Na primeira ocasião, em 2025, o secretário de Estado e o vice-presidente americano, J. D. Vance -ambos católicos- participaram da missa de posse de Leão 14 e tiveram uma reunião privada com ele pontífice no dia seguinte, onde o convidaram para visitar a Casa Branca. Após as críticas de Trump, Vance afirmou que o papa devia tomar cuidado ao misturar teologia e guerra.
Rubio também se encontrará com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, na sexta-feira. Apesar de ter sido uma das principais apoiadoras de Donald Trump, Meloni faz duras críticas a Washington desde sua entrada na guerra, além de declarar apoio direto a Leão 14.
“O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra.”, disse a primeira-ministra em um comunicado em abril.
Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br
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